#NovembroAzul

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CUIDADO!

NEM TODO PRODUTO DIET OU LIGHT PODE SER CONSUMIDO POR DIABÉTICOS. PRESTE ATENÇÃO NOS RÓTULOS E VERIFIQUE SE, DE FATO, O PRODUTO NÃO CONTÉM AÇÚCAR OU GORDURA EM EXCESSO.

O Diabetes e eu

Em julho/2002, aos 32 anos e no início do sétimo mês de gestação, uma glicemia de jejum de 146, indicou o diabetes gestacional. O médico que me acompanhava, muito intransigente, queria me internar a todo custo, alegando que gravidez de risco era caso para o hospital e não para ele. Me dispensou com o pedido de internação nas mãos. Abalada, nervosa, com medo e aos prantos, é claro que não fui ao hospital. Minha cara metade me tranquilizou e, em contato com uma amiga, pediatra, acabei sendo encaminhada para outro médico. Dr. Omar Latif, até hoje meu querido ginecologista, me atendeu com educação e delicadeza, me deixando esperançosa quanto a situação que estava enfrentando. Acostumado a cuidar de grávidas diabéticas, disse que o meu caso não era assim tão preocupante, e me indicou uma rigorosa dieta. Assim, sem insulina ou medicamentos, perdi 10 quilos e mantive a taxa glicêmica normalizada, até o parto. Antes da gravidez meu peso era de 59 quilos, para 1,69 de altura. No sétimo mês estava com 82 quilos. Meu filho nasceu de cesariana, com 37 semanas de gestação. Em decorrência do diabetes, era considerado um "feto macrossômico" (fetos grandes, que pesam mais de 4kg ao nascer, ocorrência comum em mães diabéticas, obesas ou que engordaram mais de 20kg na gestação), e pesou 3.950kg ao nascer. O diabetes também fez com que ele nascesse com hipocalcemia (nível anormalmente baixo de cálcio no sangue, muito comum em recém-nascidos filhos de mães diabéticas), mas que tratada rapidamente, graças à Deus, não lhe trouxe qualquer debilitação). Três meses após o parto, pesava 63kg, a taxa glicêmica normalizou-se e eu passei a ignorar o fator hereditário que predispunha meu organismo ao diabetes: minha avó materna era diabética. 


Mesmo com a orientação médica de refazer os exames anualmente, passei 07 anos ignorando, não só o risco, mas minha saúde. Sedentária até o último fio de cabelo; não mantinha uma alimentação saudável; tive depressão; engordei 20kg. Enfim, não me tornei diabética por acaso, fiz tudo o que foi possível para ser diabética.


O mais importante a ser destacado, é que durante todo esse tempo, não tive nenhum dos sintomas clássicos do diabetes: não urinava com frequencia e o volume era normal; não tinha sede; não tinha fome excessiva (era uma draga por natureza) e não perdi peso, ao contrário ganhei muitos quilos. Só hoje é que percebo que o meu corpo tentava me pedir socorro através de outros sintomas: depressão, irritação, dor na sola dos pés, inchaços nas mãos e pés pela manhã, sonolência e muita, muita preguiça e indisposição. Por isso é que dizem que o diabetes é uma doença silenciosa, que aos poucos vai nocauteando, não só o pâncreas, mas todos os outros órgãos do corpo. 


Após muita insistência de familiares e amigos, no final de agosto/2009 comprei um glicosímetro e, num domingo pela manhã, minha glicemia de jejum era 252! O resultado da hemoglobina glicada  estava no percentual de 8,5%. Conclusão: sou portadora de Diabetes Tipo 2. Desde então venho lutando contra meu pior inimigo: eu mesma. No início do tratamento consegui emagrecer 17 quilos, mudei meus hábitos alimentares e iniciei esse blog. Comecei a me informar sobre a doença e seus riscos e me tornei uma pessoa mais feliz. Também cuido melhor da minha saúde. Meu maior problema, confesso, ainda é resistir aos exercícios físicos. Comprei uma esteira e tenho tentado caminhar ao menos 30m por dia. Há semanas que nem olho pra ela, mas sei que está lá me esperando. Nos últimos meses também engordei 6kg. Isso está me deixando preocupada, mas já comecei a me conscientizar de que emagrecer é preciso e estou novamente na minha dieta básica.


Não vejo o diabetes como meu inimigo ou como fim de linha. Sei que é possível  ter uma vida normal e com mais qualidade. Basta prestar atenção nos pequenos cuidados diários. É isso aí: não tenha medo da vida, não se sinta sozinho. Valorize cada instante, alimente-se bem, de forma saudável e, mexa-se (não siga meu exemplo).


Os posts abaixo foram escritos por mim, sobre minha experiência com o diabetes:


La dolce vita de uma sereia pré-ou já é... diabética!


Doce encontro

9 comentários:

  1. Olá, tudo bom? Encontrei seu blog procurando por uma receita de bolo diet, pois estou com diabetes gestacional e resolvi ler seu depoimento que me emocionou muito, pois me identifiquei com seu caso. Tenho 31 anos e estou no 9o mês de gravidez. Sempre fui muito magra, então jamais me passou pela cabeça que um dia estaria no grupo de risco da diabetes, apesar de minha avó materna ser portadora da diabetes tipo 2. Confesso que apesar da dieta, volta e meia acabava cometendo uns deslizes (como comer 3 biscoitos de côco normais), mas seu depoimento serviu como um "despertamento" para mim. Muitíssimo obrigada por fazer este blog e por compartilhar sua experiência. Com certeza passarei a monitorar minha taxa glicêmica diligentemente a partir de agora para evitar uma diabetes tipo 2. Beijos e desejo tudo de bom para você!

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    1. Fabi, agora vc. poderia nos contar como está sua vida, pós gravidez e nos dar notícias de seu filhote.

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  2. Oi Jo, tudo bem?

    Me chamo André, tenho 47 anos e há 14 dias descobri que tenho diabetes. Fui fazer um exame no laboratório e pra minha surpresa a glicemia estava em 170. Foi um susto e uma sensação terrível. Hoje depois de 15 dias ainda não aceitei a doença. Me sinto triste e por que não dizer desesperado, não com a restrição alimentar somente, mas com o medo das complicações da doença. Minha mãe tem 74 anos, é diabética há muitos anos, mas não tem complicação nenhuma. Meu ex-sogro morreu vítima das complicações. Ele sofreu amputações diversas e passou maus bocados.

    Hoje me sinto perdido e confuso, os horários de alimentação são um problema pra mim, não sei o que comer e nem quanto comer. Cores e sabores são outros problemas, acho que toda fruta vermelha e doce deve ser evitada. Minhas questões não são somente com as refeições principais, mas aquelas pequenas coisinhas que a gene come no dia a dia (salgadinhos, amendoins, castanhas, molhos, conservas, biscoitos, chicletes e outras bobagens).

    Na hora das compras passo horas analisando rótulos, querendo entender percentuais de carboidratos, se é diet, se tem açúcar, o que torna ainda mais difícil conviver com o diabetes. Não sei que produtos comprar. Qual o queijo certo, os integrais adequados, se posso ou não presunto. Nossa quanta informação pra alguém que ainda se revolta com o "presente" recebido.

    Adoro caqui e está na época dele aqui na minha região. Foi fazendo uma pesquisa na internet sobre a proibição ou não do caqui, que encontrei seu blog. Aqui encontrei muita informação que me fez entender melhor, mas minhas dúvidas ainda persistem.

    Jo, você fala de um jeito que parece fácil viver com o diabetes. Sei que não posso fazer nada a respeito a não ser aprender a conviver com a doença. Gostaria tanto que você pudesse me ajudar com os dramas que me rodeiam sobre a doença. Pra complicar um pouco mais tenho também hipertensão arterial, herdada do meu pai.

    Parabéns pela linda iniciativa de ajudar os adocicados rsrs


    André Adeodato

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    1. Oi, André. Fico feliz que, de alguma forma, o blog tenha lhe ajudado a entender um pouco mais sobre o diabetes. Diferente de você, não fiquei revoltada com o diagnóstico, meu problema maior era saber o que comer, kkk. Não adianta se desesperar e ficar imaginando complicações que vc. nem sabe se existirão ao longo da vida. Exemplo disso é sua mãe, que convive com o diabetes muito bem, assim como minha avó. Você certamente foi diagnosticado com o Diabetes Tipo 2, que é igual ao meu: tem a predisposição genética (filhos de mães diabéticas tem grande propensão a desenvolver a colega), certamente você é sedentário e com certeza, é um bom garfo, rsrsrs. O mais importante, depois do diagnóstico é se adequar ao tratamento, no seu caso, medicamentos hipoglicemiantes, que vc. já dever estar tomando. De resto, não tem segredo: exercício físico diariamente, ao menos 30 minutos, 06 vezes por semana, ou 01 hora, 3 vezes por semana. Para vc. ter uma idéia, qdo. descobri o diabetes, minha glicemia de jejum era mais de 250 e eu estou aqui, vivendo e tirando de letra. Quanto a comida, por não usar insulina, vc. não precisa fazer a contagem de carboidratos, mas controlar a ingestão dos mesmos. Basta não exagerar. Com o exercício e o medicamento, vc. consegue controlar a glicemia. Seu médico certamente é a melhor pessoa para orientá-lo e, se preciso, encaminha-lo a uma nutricionista, o que é muito legal no início. No geral, a palavra é: sem exageros. O único alimento que você não pode ingerir é o açúcar, portanto, doces somente diet. No seu caso que é hipertenso, sal, nem pensar, mas isso também serve para todos os docinhos, que também precisam maneirar no sal. Gorduras idem. Pense que com o diabetes, o menos é sempre mais: mais saúde, mais qualidade de vida. O controle glicêmico é importante, e ele se mantém em bons níveis quando vc. consegue perder peso e manter uma alimentação adequada. Comer a cada 03 horas é importante, sem pular qualquer refeição. Substitua tudo o que puder por alimentos integrais: arroz, pão, farinha de trigo, macarrão, com excessão do leite, que é melhor ser o desnatado. As fibras são essenciais em nossa alimentação e elas estão presentes nas frutas, nos grãos, nos cereais. Quanto as frutas, podemos comer todas elas, mas sem exageros e tentar não comer todas de uma única vez. De resto, desencana de rótulo: o que vc. precisa saber é que o alimento não pode conter açúcar e, no máximo, dar uma olhada na quantidade de gordura, que, em alguns alimentos, como o chocolate, tem de sobra. Entendo seu problema com caqui: também passo por isso, mas te garanto que estou aproveitando a safra, kkkk. Te aconselho a aprender o máximo q puder sobre o diabetes, porque só assim vc. terá pleno controle de sua glicemia. Tem muitos blogs por aí, onde as pessoas compartilham seu dia-a-dia super adocicado e a gente acaba trocando idéias e aprendendo um pouco com a troca de experiências. De resto, acho que vc. precisa se acalmar primeiro. Não é nenhum bicho de sete cabeças e hoje os tratamentos disponíveis estão cada vez melhores e nos dá a oportunidade de uma melhor qualidade de vida. As complicações com a doença existem e não podem ser ignoradas, mas elas aparecem quando vc. não se cuida. Xereta aí pelo blog que vc. vai encontrar muitas receitas e muitos produtos diet que não deixam nada a dever para os açucarados. E qualquer dúvida, passa por aqui ou deixe um comentário na nossa página no Face. Boa sorte com o sangue adocicado e cuide de sua saúde. Um abraço.

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  3. Olá Jo eu tb sou diabética e descobri em 2011. Sempre fui uma pessoa comedida na hora de se alimentar e sempre pratiquei exercícios, mas no início de 2010 minha mãe que tb era diabética teve um derrame e eu precisei cuidar dela e esqueci de mim. Engordei pois parei de praticar exercícios e estava sempre correndo, muito estressada, mas cuidei dela até dezembro quando da sua morte. Quando parei é que percebi que meu corpo estava diferente e pior doente. Hoje tento controlar minha alimentação, evito doces, massas embora goste muito de pão mas procuro sempre fazer uso do integral. O que me incomoda um pouco é a falta de apoio familiar que nos almoços e jantares em família pouco se importam com as restrições, mas eu vou vivendo, fazer o que não é mesmo, Deus me deu um limão e a mim só resta fazer uma limonada, com adoçante é claro. Obrigada pelo espaço para um desabafo.

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    1. Oi Gina.
      Me chamo Silvana, também acho complicado festas de família.
      Mas a gente tem que se virar, eu levo minha salada, ou outra coisa que eu possa comer.
      Como você está hoje??
      Abço

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  4. Oi.. a 3 meses meu filho de 19 anos descobriu que tem diabetes, entrou no hospital com 560 de glicemia... hoje toma 16 de insulina nao reclama,mais a dieta e uma luta, quer comer ate o que nao gostava antes.... e sempre assim essa resistência no inicio???

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    1. Oi, Kell. Essa resistência no início é normal. Mas vou te contar um segredo: minha resistencia perdura até hoje. Há épocas em que, literalmente, finjo não ser diabética e me rebelo. As consequencias, sempre desastrosas. Mas ele ainda é jovem, é normal ficar revoltado. Faço votos de que ele esteja bem.

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  5. Boa tarde! Não sei se ainda esta ativa no blog, mas acessei procurando receita de docinho de leite em pó. Me chamo Fabiana, tenho 39 anos e eu descobri a diabetes nos exames pré-natais 6 semanas de gestação, 173 em jejum, estou agora com 22 semanas de gestação e controlando a glicemia com dieta. Fico apreensiva com as complicações que podem ocorrer com o bebê, até agora graças a Deus está tudo dentro do normal. No início a obstetra que me acompanhava me apavorou, acabei trocando por isso, e outros fatores também. Estou sendo acompanhada pelo obstetra, endocrinologista especialista em gestantes e nutricionista, contanto também com o apoio do esposo e amigos que são anjos na minha vida! No início foi difícil, mas agora já estou habituada, no entanto a vontade de comer doce vem as vezes. Abraços.

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